>

Parece um pesadelo que se tornou um sonho. Antes era uma praia, que se converteu em manguezal. A lama, decorrente de diversas transformações ambientais (causadas por terríveis acidentes químicos e o crescimento da indústria, nas margens da Baía de Sepetiba) deverá ter um “fim”. Utilizando recursos vindos de diversas fontes, o Governo do estado soma forças pra conseguir a recuperação ambiental das praias da baía de Sepetiba.
No primeiro momento, os moradores (já cansados de obras que se iniciam e nunca são concluídas) assistem a tudo calados. Com ar de desconfiança. 
Cobrir a lama com plástico? Cobrir o plástico com areia? Será que isto funciona, ou não passa de uma maquiagem? As informações técnicas são sigilosas e a população é obrigada a esperar pra ver, Pra crer!
Falam em aterrar a lama e construir um calçadão por toda orla de Sepetiba e Pedra de Guaratiba, que variaria entre 50Mts e 400 Mts de largura, de acordo com a localização. Ainda se perguntam: E os crustáceos que ainda vivem aqui? Ficarão debaixo da lona pra sempre, enterrados juntamente com ela? E os efeitos não biodegradáveis provocados pelo plástico? Até a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, teremos que aguadar e esperar que a “maquiagem” seja permanente”! Te amamos Sepetiba e queremos que lhe devolvam a vida, por isto estamos aqui!
– Fotos por Saulo Valley – Todos os direitos reservados.

Atualização: 26 de Dezembro de 2010 18:35

Paraíso perdido de volta ao Rio

17.07.10 às 18h14 > Atualizado em 17.07.10 às 18h16

POR LUCIENE BRAGA

Revitalização da Praia de Sepetiba pode retomar os bons tempos de areias e águas limpas na região. Moradores se empolgam com projetos de saneamento, urbanismo, desenvolvimento econômico e valorização imobiliária

 Revitalização da Praia de Sepetiba pode retomar os bons tempos de areias e águas limpas na região. Moradores se empolgam com projetos de saneamento, urbanismo, desenvolvimento econômico e valorização imobiliária

POR LUCIENE BRAGA
Rio – Nem todo mundo sabe, mas um paraíso perdido há décadas, muito próximo do Rio de Janeiro, já está voltando ao mapa. A Praia de Sepetiba, balneário comparado a Búzios por quem frequentou a região até os anos 70, passa por um processo de revitalização cercado de tecnologia e grandes investimentos. O local, que serviu de locação para as gravações da novela “O Bem Amado”, foi arrasado após o despejo de toneladas de metal pesado pela empresa Ingá Mercantil. Tomada por lama e assolada pela falta de saneamento, a areia sumiu.

A Usiminas comprou a área, que agora recebe R$ 46 milhões em investimentos do governo estadual para a revitalização. A Odebrecht venceu a licitação no início do ano e começou a obra, que emprega 150 trabalhadores e integra curioso processo capaz de devolver aos 70 mil moradores da região a areia e a paisagem dos 2 Km de praia. “Com a despoluição, eles esperam retomar as principais atividades econômicas do passado: pesca e turismo”, comemora Magali Jordão, presidente da Cores (Comissão de Revitalização de Sepetiba, organização não governamental).

Segundo Marcos Teixeira, diretor da Odebrecht, o trabalho começou há 15 dias e será concluído em 12 meses. “A solução encontrada foi o confinamento do lodo acumulado todos esses anos, que tem de dois a três metros de profundidade. Nós usaremos o geotêxtil, manta de 500 mil metros quadrados em material já utilizado em aeroportos, que impede a passagem do resíduo, mas permite a troca de ar e água e distribui as tensões e o peso da areia, impedindo a formação de sulcos”, explica ele, destacando que é a primeira vez que a técnica é utilizada com fins ambientais. “A praia vai ressurgir, para que as pessoas possam tomar sol, jogar frescobol e futebol, a partir de junho do ano que vem”, complementa.

Em Sepetiba, não havia manguezal, que se formou como vegetação invasora. Na primeira fase, foi realizada coleta e remanejamento de aproximadamente 525 mil mudas de mangue e 780 mil caranguejos. A vegetação está sendo remanejada para o Canal do Fundão, na Zona Norte. Os caranguejos serão remanejados para a área vizinha da Base Aérea de Santa Cruz. Esse trabalho preparatório contou com a orientação do biólogo Mario Moscatelli.

“Isso aqui era tipo Búzios: uma enseada maravilhosa de água morna, de baía cristalina. Quando chegou o porto de Sepetiba, hoje de Itaguaí, veio a dragagem que tira a areia do caminho. Em vez de jogar fora, no oceano, jogaram dentro da baía, o que assoreou a Praia de Sepetiba, que virou um lixão. Sofremos grande dano ambiental. A praia fede. A lama é podre. Estamos comemorando essa obra, o pontapé inicial para a recuperação de toda a baía, que recebe esgoto de vários municípios do estado”, defende Magali.

Segundo ela, a população prevê a valorização imobiliária. Por isso, muita gente já está pintando a casa, preparando a venda. “Aguardamos um trabalho maior, para toda a baía e para a vila. Precisamos de um projeto de urbanização, ciclovia, saneamento. Se a praia estiver em condições, as pessoas vão frequentar a orla. Eu, que tenho uma loja, vou vender mais. Se um morador daqui consegue emprego em uma pousada, ele vai comprar comigo, e a economia será movimentada”, projeta ela, que também propõe a construção de um píer para que as pessoas que normalmente embarcam para a Ilha Grande por Angra dos Reis possam fazê-lo bem mais perto, em Sepetiba.

Fonte: O dia Online

Anúncios