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"O Observador do Mundo"

Síria: Rebelião militar vai ganhando força depois de muitos ensaios e mortes.

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No início as rebeliões no seio do exército e das demais forças de seguranças da Síria, não passavam de atos suicidas, para que ao se negar a barbarizar e matar civis (destacando mulheres e crianças), não fossem executados como ratos…

cortesia: "Charles Roffey"

Lebanese soldiers on the beachfront by "Charles Roffey"

Por Saulo Valley – Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2011 – 15h53min.

Mas as lutas não duravam mais que alguns minutos. A maioria dos rebeldes proclamavam jihad nos vídeos em honra aos civis martirizados, e partiam para a troca injusta de tiros entre dezenas de soldados contra 3 ou 4 desertores com pouca munição. Ainda eram executados com tiros nas costas e depois barbarizados para que servissem de exemplo para o restante da tropa. Ainda muitos dissidentes foram parar em valas comuns.

A perseguição cruel contra os manifestantes, foi ganhando ímpeto e Assad foi exigindo maior terror a ser aplicado contra o povo, que se recusa a desistir de morrer em troca de conquistar a liberdade de seu país. Envergonhados, os soldados sírios tem buscado responder a altura dos mártires, e têm se organizado cada vez mais.

Outro ponto decisivo na força da rebelião militar na Síria, é a adesão de militares de alto-escalão. Muitos soldados desertam e ficam sem saber o que fazer para ajudar ao povo, já que não foram treinados para liderar. Vivendo no meio dos matagais ou nos becos sujos das aldeias e vilas, muitos dissidentes ficam aguardando um sinal para se reunir ao grande exército livre. Este grande exército precisa de um grande líder. Um extrategista. Precisa de meios de adquirir armas e munições, além de alimentos e uniformes.

O país vivendo dias de esmagadoras sanções e as forças de segurança confiscando todos os valores das mãos da população… A atual situação econômica do país impede que haja patrocínio por parte da comunidade para adquirir suprimentos militares, mas há a possibilidade de que organizações internacionais os ajudem. Este recurso deve vir secretamente e enquanto isto, as mortes de civis chegam ao seu nível mais alto. Desesperados, muitos dissidentes são obrigados a permanecer escondidos até que a ajuda chegue, ao passo que Assad acabou por enviar ordens para que as mulheres não sejam mais poupadas.

Iniciou-se então uma onda de sequestros e estupros e mutilações de mulheres. O que será que sente um soldado treinado com todas as técnicas de guerra possíveis, visando se encontrar face-a-face com o inimigo altamente treinado, enfrentando todos os perigos e lutar para defender seu país e seu povo diante de iminentes ameaças, quando se vê diante de uma mulher com seu filho no colo, e seu superior diz que precisam ser executados?

A presença de mercenários.

Como reagir diante de uma imposição de aniquilar sua própria família, amigos de seus amigos, e toda a história de suas origens? Mas os rachas são mais justos porque, para evitar rebeliões em massa no seio do exército, e para garantir o cumprimento de suas ordens, Al-Assad ordenou a contratação de mercenários estrangeiros.

A presença de mercenários no meio das tropas é o que possibilita uma grande revolta. Sim, logo alí ao lado de cada soldado sírio, pode-se encontrar um grande número de inimigos. Eles estão misturados e zombam, das mulheres, crianças e idosos. Zombam da história e da religião. Zombam da dor e da morte de cada um deles, nas mãos dos desalmados assassinos de aluguel. Não há como não se sentir culpado. Não há como suportar, depois do efeito de uma grande quantidade de drogas, distribuídas gratuitamente pelas autoridades sírias, ainda assim não há como manter o equilíbrio! O que é um soldado afinal?

Rastan e Homs

Em Rastan o povo vivia uma vida miserável, até que a revolução estourou. A pequena cidade pedindo o fim dos massacres, indo às ruas implorando por ajuda militar internacional, mas ela não veio. Em contra-partida o presidente sírio percebendo que aquelas manifestações, que pediam a ajuda da NATO, constituíam um grande perigo ao seu posto, iniciou uma violenta perseguição a todo o povo, a começar pelas crianças, passando pelos jovens, dissidentes, ativistas e parentes de ativistas.

Duas semanas de bombardeio pesado, tiroteio nas casas, ataques às famílias como um todo e rios de sangue. As cidades sírias vizinhas iniciaram protestos em referência e solidariedade a Rastan pedindo o fim do bloqueio e do massacre. Como resposta, o monstro do governo sírio decidiu varrer as cidades que apoiavam Rastan, a começar pelas mais vizinhas.

Tudo isto foi sendo um grande peso para o soldado sírio que vem ininterruptamente matando, ferindo, atirando, esfaqueando, serrando, cortando, espancando, batendo, enforcando, estuprando, arrastando, explodindo esmagando…

Por padrão, acredita-se que os soldados pró-Assad nunca serão punidos por justiça alguma, mas espera-se que o novo governo da Síria saiba como responsabilizar a cada um deles por se submeter a esta trágica ordenança.

Homs

Homs vive há 3 dias um intenso conflito armado. Este conflito armado não tem nenhuma relação com “as gangues armadas” que o regime sírio se refere como desculpa para continuar o genocídio; tem total ligação com a revolta dentro do exército sírio.

Só em Homs há três dias mais de 200 Soldados se rebelaram de uma única vez. O que tem facilitado as rebeliões é o envio de gigantesco contingente de soldados para destruir as cidades. Muitos deles são jovens recrutas. São sírio, que ainda guardam muitas lembranças de suas famílias , de suas infâncias e dos bairros onde moram.

Nesta Terça-feira o governo sírio tem utilizado helicópteros militares para impedir a vitória dos dissidentes. Em contra-partida, muitos civis estão morrendo, como efeito colateral dos pesados tiroteios. Uma verdadeira guerra.

Guerra Civil

Enquanto isto a mídia semeia preocupações de uma guerra civil. A guerra civil é um dos alvos de Al-Assad. Só ele lucraria com ela, que confirmaria todas as suas retóricas, além de permitir-lo permanecer no poder e/ou sair ileso de todos os seus crimes. Digo como um jornalista que tem contato diário com o povo sírio. <<Não há possibilidade de uma guerra civil no país>>. Os sírio estão muito preparados e resistentes a qualquer tentativa de guerra civil e sectária. Eles preferirão deixar-se executar que reagir, ou admitir que algum grupo reaja em nome do povo. Uma guerra civil a esta altura invalidaria todo o esforço popular desde 15 de Março até os dias de hoje.

A guerra civil na Síria só teria uma justificativa: Se os grupos étnicos na síria, que são muitos, poderiam exigir lugar no poder. Parte ou porção dele. Mas a revolução que hoje se encontra, provavelmente será o fim de uma era de opressão de ditadura e o início de uma nova era de democracia e liberdade no mundo árabe.

Por este motivo, os diversos grupo étnicos da Síria não estão “lutando” por uma vaga no poder, eles estão lutando por dignidade ao moldes europeus! Esta é a verdade. Não há atrativo maior para qualquer sírio que não seja a liberdade e a dignidade de todos as tribos e religiões.

Após a queda de Al-Assad

A queda tão sonhada de Bashar Al-Assad pode demorar, mas é garantida. A determinação do povo sírio e suas respectivas representações étnicas em permanecerem unidos se manterá em respeito ao sangue derramado de todos os mártires, durante a batalha pela liberdade. Para que nova rebelião não seja deflagrada no país ou para que não haja um novo ditador no poder, o povo sírio decidiu que todos serão tratados de forma igualitária e ninguém terá oportunidades no governo por pertencer a uma determinada tribo ou religião. Ser livre é ser imparcial. E esta é a proposta do povo que eu conheço à fundo, depois de seis meses vivendo 20 horas por dia em contato com seus filhos, seus políticos, seus ativistas, seus religiosos e suas realidades.

Autor: Saulo Valley

Jornalista da Web, repórter, escritor, poeta, radialista, cinegrafista, fotógrafo, Videoprodutor, músico, compositor, modelador 3D, Mestre de Kung Fú e instrutor de Boxe Chinês. Os fatos mais atuais sob olhar analítico do "OBSERVADOR DO MUNDO". Acesse Saulo Valley Post in http://paper.li/f-1326286418 ou http://saulovalley.blogspot.com

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