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Neste dias o frio do inverno tem sido intenso, e a população do Cairo precisa obedecer ao toque de recolher, mas existem cerca de 1500 famílias que não sabem onde se proteger das temidas noites egípcias, em tempos de instabilidade.


Por Saulo Valley – Rio de Janeiro, 09 de Março de 2011 – 18h15min.

Numa reportagem da Associated Press, publicada no site MSN em 11-09-2008, encontrei a melhor descrição do que tornou conhecido como: “A tragédia de Duwaiqa”. Leia:

Cairo ano de 2006 – “Durante anos, a favela cresceu à sombra de um penhasco de calcário, seus barracos de madeira e apartamentos de tijolos de má qualidade subindo e se espalhando sobre o monte. O tempo todo, o calcário foi rachando por dentro, lenta e invisivelmente, a partir do próprio esgoto da favela.
Na semana passada, o precipício, finalmente cedeu. Choveu pedregulhos gigantes para os mais pobres dos pobres do Egito, matando pelo menos 80 pessoas na favela Dweiqa, com famílias inteiras que ainda acredita-se que estejam enterradas sob os escombros”.

Muitas destas famílias que sobreviveram perderam tudo. Houve uma necessidade de que fossem retirados daquela área insegura. Elas e todas as famílias carentes do Cairo foram convidadas a apresentarem-se ao Ministério da Habitação, para que por meio do serviço de assistência social, pudessem avaliar a situação e iniciar um trabalho de re-assentamento e o atendimento das suas necessidades mais urgentes de imediato.

Deste tempo pra cá ficaram aguardando a visita da assistência social tendo sido deixadas ao relento sem o mínimo de recurso, escola, alimentação, moradia, atendimento médico, emprego, nada.

Alguns pretendiam voltar para seus barracos, mas o governador ordenou que fossem demolidos.

A matéria que foi publicada em setembro de 2008 dizia que 40% dos 80 milhões de egípcios viviam com cerca de 1dólar por dia e a inflação havia aumentado em 20%.

Na época o ministro da Habitação era Ahmed El Maghraby, que hoje (quinta) foi preso junto com outros 2 ex-ministros em função de uma investigação por desvio de fundos públicos.

Do grupo fazem parte o ex-ministro do Interior, Habib el-Adli, o ex-ministro do Turismo, Zuhair Garaña, o ex-ministro da Habitação, Ahmed el-Maghrabi e o magnata do aço Ahmed Ezz que deve ser mantido por 15 dias – Reuters. 

Segundo o site Árabe Alsiyada o ex-ministro El-Adly, cujo trabalho lhe deu o controle sobre as forças de segurança “500000-forte”, tem sido amplamente culpado pela brutalidade letal usada pela polícia contra os manifestantes em protestos em massa que começou 25 de janeiro e Mubarak forçado a demitir-se 11 de fevereiro. El-Adly esteve no mesmo cargo por 12 anos”.

Além desta grande injustiça, o Governador do Cairo “Abdel Azim Wazir” foi julgado pela “justiça egípcia” e condenado pelo assassinado de pelo menos 120 palestinos e pelos 55 que ficaram feridos na segunda maior tragédia do país.

O ódio da população egípcia é antigo.

O juiz Abdalkhalq Procurador-Geral em nome da Cairo Ocidental pediu ao Tribunal de criminal a pena máxima ao arguido, mas que a punição variava entre cinco e três anos e tinha sido enfraquecida por casa do recurso ficando para ser cumprida em um ano, com a inocência do acusado o vice-governador, Mahmoud Yassin.

A justiça o considerou culpado por omissão de prestar o mínimo de atenção para os moradores da favela e de não providenciar o re-assentamento do povo desabrigado. Ele foi condenado a 1 ano de prisão em Outubro de 2010 mas a polícia não conseguiu encontrá-lo e as famílias permanecem nas ruas até hoje.

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